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Zagueiro Luiz Gustavo diz ter sido ameaçado por Cristiano Dresch, vice do Cuiabá: “Abre a boca pra você ver, seu vagabundo”

Reprodução
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Após a demissão polêmica de Alberto Valentim, o vice-presidente do Cuiabá está envolvido em mais uma situação complicada. O zagueiro Luiz Gustavo afirma ter sido ameaçado e assediado moralmente pelo dirigente em uma conversa telefônica.

O atleta cobra R$ 2,5 milhões do clube, valores referentes a verbas trabalhistas e outras obrigações. A ação corre na 1ª Vara Trabalhista de Cuiabá. As informações foram divulgadas pela jornalista Gabriela Moreira, no site “Globo Esporte”.

A ameaça, no entanto, foi gravada pelo atleta e anexada ao processo. O motivo da ligação seria por conta de uma recusa da parte de Luiz Gustavo para um acordo com o departamento de Recursos Humanos do clube, já que o atleta não teve seu contrato renovado após lesão.

Foto de capa: Getty Images
João Felix

Cristiano Dresch chama Luiz Gustavo de “jogadorzinho de merda”, “seu quebrado”, “seu bosta”, “vagabundo”, além de fazer ameaças: “eu sei onde você mora”, “você tá na minha terra”, “abre essa boca sua de novo aí pra cê ver, seu vagabundo”.

Luiz Gustavo chegou ao clube após encerrar seu contrato com o Vasco. Três meses depois, no entanto, ele sofreu uma lesão, em jogo contra o Luverdense, e precisou ser operado no joelho esquerdo. De acordo com os advogados do atleta, o Cuiabá descumpriu a lei ao não manter o vínculo com o jogador. 

O Cuiabá se pronunciou oficialmente sobre o caso por meio de uma nota.

“A respeito do atleta Luiz Gustavo, o Cuiabá Esporte Clube e o vice-presidente Cristiano Dresch vêm a público esclarecer os seguintes pontos:

1) Desde o início do seu contrato, o atleta Luiz Gustavo cometeu diversos atos de indisciplina e teve pelo menos três discussões acaloradas com funcionários, membros da comissão técnica e diretoria do clube;

2) Um dos episódio de violência e insubordinação ocorreu em 25.01.21. Após tentar levar documentos de seu prontuário que deveriam permanecer no clube, o jogador quis rasgar o exame periódico, tentou tirar o laudo à força da mão da médica Lívia Borges de Souza, xingou a profissional e saiu chutando a porta da sala. Após ser contido pelo então supervisor Daniel Freitas, falou em tom de ameaça ao superior: “se você quiser me ver mais bravo do que estou, não chega perto de mim”; tanto a médica como o ex-supervisor do clube estão à disposição do Grupo Globo para corroborar os fatos descritos;

3 )A conduta antiprofissional e inadequada do atleta pode ser ratificada também por vários de seus ex-companheiros e ex-superiores no clube e resultou em multa por infração disciplinar, conforme documento anexo;

4) Após ver seu clube chamado inúmeras vezes pelo jogador de “time de merda” e “time pequeno”, depois de 12 anos de sacrifício para conquistar uma vaga na elite do futebol brasileiro, Cristiano Dresch confirma que teve uma conversa ríspida com Luiz Gustavo. O dirigente, no entanto, afirma que jamais teve a intenção de ameaçá-lo ou assediá-lo e justifica sua atitude como um ato isolado de defesa à honra da instituição. Pouco antes da discussão, Luiz Gustavo havia reclamado na sala de fisioterapia, na presença de 12 pessoas, que havia “muita gente falsa” no clube e incitou seus companheiros a não seguirem os protocolos médicos;

5) Sobre a ação na Justiça, o Cuiabá reitera que quitou todas as suas obrigações contratuais, como é praxe desde sua fundação, e que rebaterá todas as acusações na Justiça”

Confira a nota dos advogados de Luiz Gustavo

“1. A agremiação tenta desviar o foco do seu descumprimento das normas legais. Mesmo que o Luiz tivesse cometido os supostos atos e insubordinação, isso não seria motivo para as ameaças proferidas pelo VP do clube (Eu sei aonde você mora, você está na minha terra) e muito menos os xingamentos e tentativa de desqualificação do atleta.

2. Se houve algum ato de violência ou insubordinação, porque o clube JAMAIS advertiu por escrito o atleta e jamais suspendeu seu contrato de trabalho? Ora, a CLT é bem clara ao tratar sobre a matéria: se há ato considerado como falta grave, deve a empresa advertir por escrito ou dar suspensão. E isso jamais ocorreu, pois o Luiz jamais cometeu tais atos.

3. Luiz Gustavo tem mais de 10 anos de carreira, atuando por clubes como Palmeiras, Avaí, Vasco, Guarani e Vitória, deixando sempre grandes amigos e sempre respeitando seus colegas de trabalho. O atleta é querido por todos os lugares onde passou, sendo conhecido por ser atleta calmo, tranquilo e respeitador.

4. Luiz Gustavo jamais desqualificou o Cuiaba, e muito menos proferiu as palavras que a falaciosa nota do Cuiabá menciona. A afirmação da suposta conversa ríspida é risível, vez que na gravação se ouve apenas uma parte agredindo a outra, apenas Dresc ameaçando o Luiz Gustavo, xingando-o e tentando desqualificá-lo.

5. A tentativa de imputar falsos atos ao Luiz Gustavo é medida desesperada de quem o ameaçou sem nenhum motivo. Lembrando que o Código Penal (artigo 138) diz que comete criem quem Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:

Calúnia

Art. 138 – Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime:
Pena – detenção, de seis meses a dois anos, e multa.
6. Por fim, desde Janeiro de 2021 o Luiz Gustavo não recebe suas verbas do clube, que também se negou a prorrogar seu contrato de trabalho em virtude da estabilidade provisória, mesmo após 5 notificações extrajudiciais.”

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