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Adriano abre o coração sobre falecimento do pai e saída da Itália: “Meu amor pelo futebol nunca mais foi o mesmo”

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Adriano Leite Ribeiro, mais conhecido como Adriano Imperador, abriu o coração sobre a carreira, falecimento do seu pai e seu atual momento de vida ao site “Players Tribune”. O ex-atacante de Flamengo, São Paulo, Inter de Milão e seleção brasileira credita a perda do seu pai como ponto crucial para a saída da Itália.

“Eu realmente não queria falar sobre isso, mas vou te dizer que, depois daquele dia, meu amor pelo futebol nunca mais foi o mesmo. Ele amava futebol, então eu amava futebol. Simples assim. Era meu destino. Quando joguei futebol, joguei pela minha família. Quando marquei, marquei para a minha família. Então, quando meu pai morreu, o futebol nunca mais foi o mesmo”.

Almir Leite Ribeiro faleceu devido a um ataque cardíaco dias após a conquista da Copa América 2004, com gol salvador de Didico. Com isso, o ex-jogador decidiu sair do clube italiano após quatro anos.

“Para ser honesto com você, embora eu tenha marcado muitos gols na Série A ao longo desses anos, e embora os torcedores realmente me amem, minha alegria se foi. Foi meu pai, sabe? Eu não poderia simplesmente apertar um botão e me sentir eu mesmo novamente”.

Foto de capa: Getty Images
João Felix

No entanto, de volta ao Rio de Janeiro, Adriano decidiu se aventurar por um novo clube. Ele assinou por empréstimo com o São Paulo antes de rumar ao Flamengo, onde foi campeão brasileiro. No meio do caminho, chegou a retornar à Inter brevemente, mas deixou o clube de vez no ano ano seguinte. 

O ex-atacante rasgou elogios ao presidente do time italiano, Massimo Moratti, e conta que ele foi compreensivo sobre sua saída. Porém revelou que José Mourinho, técnico à época da equipe, não aceitou da melhor maneira.

“Sim, talvez eu tenha desistido de milhões. Mas quanto vale a sua paz de espírito? Quanto você pagaria para ter de volta a sua essência? Na época, eu estava desolado com a morte do meu pai. Queria me sentir eu mesmo novamente. Eu não estava drogado. Isso nunca. Eu estava bebendo? Sim, claro. Merda, sim, eu estava. Saúde! Mas, se quiser testar, te juro por Deus, você não vai encontrar droga nenhuma no meu sangue. O dia em que eu usar droga, minha mãe e minha avó morrem. Bebida alcoólica? Ah, isso vai dar mesmo, bastante, até porque eu gosto de tomar um “danone””.

Adriano estourou rapidamente no futebol brasileiro. Já aos 18 anos, revelado pelo Flamengo, foi convocado para a seleção brasileira. Foi vendido à Inter e, em 2001, estreou com um golaço de falta contra o Real Madrid. O Imperador relembra que recebeu o apoio de Seedorf, que deu a bola a ele.

“Materazzi queria pegar a bola. Mas o Seedorf chegou e disse: “não, quem vai bater é o Adriano” […]. As pessoas me perguntam o tempo todo sobre aquela cobrança de falta. Como, como, como? Como você chutou a bola com tanta força? Eu digo a eles: “Ah, cara! Não sei! Eu bati com a esquerda e Deus fez o resto!”.

Sobre seu retorno ao Flamengo, sua equipe de formação,  Adriano exalta a união do grupo, que foi campeão após 17 anos do Campeonato Brasileiro. Para ele, aquela temporada o fez voltar a ser o verdadeiro Adriano. 

“Às vezes, a gente chegava para o treino não pelo futebol, mas pela resenha depois. Assim que o treino acabava – poom! –, hora de tomar um “querosene”. Hora da resenha. Direto para o Mercado Produtor. Todo o time. Até as esposas já sabiam: Estaremos em casa à meia-noite!”.

E concluiu: “Sempre fizemos tudo juntos, cara. E vencemos. Demos um Brasileirão para o Flamengo depois de 17 anos. Foi especial. Nunca fui completamente o mesmo depois que meu pai faleceu, mas naquela temporada eu realmente me senti em casa. Senti alegria novamente. Eu voltei a ser o Adriano”.

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