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“Mala branca” de torcedor do Inter pode acarretar punições inclusive para o clube, diz especialista

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O título do Campeonato Brasileiro 2020 segue indefinido e será resolvido na última rodada. No entanto, poderá ter uma polêmica envolvendo um dos clubes que disputam a taça do torneio. Isto porque um torcedor do Inter prometeu dar dinheiro aos atletas do São Paulo (rival do Flamengo), o que é uma prática proibida no esporte.

Caso isso aconteça, poderá acarretar em punição aos envolvidos, inclusive à equipe gaúcha. O torcedor que deu essa declaração à “GZH” é Elusmar Maggi, o que mesmo que doou R$ 1 milhão para que Abel Braga pudesse escalar Rodinei em referência à multa ao Rubro-Negro.

Vou injetar dinheiro no São Paulo para a gente ser campeão. Vou estudar com a minha parte jurídica como proceder amanhã (22). Vai ser 1 a 0 para a gente contra o Corinthians”, disse o mato-grossense em entrevista no domingo.

Foto de capa: Alexandre Vidal/Flamengo
Dedé

A declaração, no entanto, não foi bem vista pelo vice-presidente jurídico do Flamengo, Rodrigo Dunshee, que desabafou em seu Twitter e disse que irá tomar medidas quanto à fala do torcedor rival.

“Manipulação de resultado sob qualquer forma é crime previsto no estatuto do torcedor, ainda mais quando são jogos da loteria federal. Hoje mesmo vamos encaminhar notícia crime ao MP (Ministério Público) e à polícia. Esse torcedor pode ser rico, mas vê-se que não é preparado”.

De acordo com Mauricio Corrêa de Veiga, advogado especialista em direito desportivo em entrevista ao portal “UOL Esporte”, essa prática é conhecida como “mala branca” e muito comum no passado, mas algo que não é tolerado hoje em dia pelo Estatuto de Futebol.

“A alegação não passa de bravata de torcedor. A prática jamais seria aceita pelos clubes citados, que sabem das consequências e das sanções. O Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) e o Estatuto do Torcedor vedam a prática popularmente conhecida como ‘mala branca’. É proibido atuar de forma contrária à ética desportiva, com o fim de influenciar o resultado de uma partida. Além disso, há previsão de punição para quem der, receber ou solicitar, para si ou para terceiros, vantagem indevida em razão de cargo ou função, remunerados ou não, em qualquer entidade desportiva ou órgão da Justiça Desportiva, para praticar, omitir ou retardar ato de ofício, ou, ainda, para fazê-lo contra disposição expressa de norma. A prática, portanto, encontra óbice nos artigos 238, 242 e 243-A do CBJD e também nos artigos 41-C e 41-D do Estatuto do Torcedor, que é Lei Federal”.

O presidente da Federação Paulista de Futebol também se manifestou na publicação e disse que é proibido influenciar um resultado de partida. Caso a entrega do dinheiro fosse comprovada, o Inter poderia ser punido.

“A mala branca é tão nociva, irregular e infracional como a mala preta. A vantagem é indevida da mesma forma. Mas tudo depende de provas e circunstâncias. E, lógico, do entendimento da procuradoria e do tribunal. O próprio Internacional poderia ser punido se o dinheiro fosse entregue: “o clube pode ou não ser punido, depende da análise da procuradoria, enquadramento etc… o mais difícil é sempre a prova”, revelou.

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