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Funcionários do Santos denunciam casos de injúria racial e assédio moral a Orlando Rollo

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Dois funcionários do Santos denunciaram casos de assédio moral e injúria racial a Orlando Rollo, presidente atual que cumpre a função até a posse do mandatário recém-eleito Andrés Rueda, segundo informações do jornalista Guilherme Sacco, da “ESPN”. 

Por meio de nota oficial, o Santos disse ter encaminhado as denúncias à Divisão de Inquérito e Sindicância para que elas sejam apuradas e providências sejam tomadas. Os dois acusados também não quiseram se pronunciar para não interferir nas investigações.

O primeiro caso ocorreu há mais de mês, quando uma funcionária reclamou ao presidente sobre a postura de Luiz Eduardo Silveira, superintendente administrativo e financeiro da gestão atual. Ela, que é negra e não teve sua identidade revelada, disse que Rollo não tomou atitude e afirmou que tinha outros problemas maiores para resolver. O jornalista também teve acesso à conversa e divulgou. 

João Felix

Veja o relato da vítima ao jornalista Guilherme Sacco, da “ESPN”:

“Rollo me procurou para trabalhar no RH do clube. Queria muito que eu trabalhasse com ele no clube. Falou que eu seria gerente de gestão na área de RH e ficaria responsável pelo RH. Ele (esse outro gerente) me perguntou onde eu estava, disse que o presidente havia dito que já era para eu estar no clube. Eu falei que ninguém havia me ligado. No dia seguinte, o superintendente me ligou, fazendo o contato. Desde então percebi que ele não me queria no clube.

Quando comecei, o superintendente não veio falar comigo. Não sentou para alinhar o que seria feito, só ficava prometendo reunião. Passaram duas, três semanas, e ele veio me pedir algumas coisas, meio que pedindo resultado. Falei que sem problema, que eu entregaria para ele. A primeira reunião seria finalmente em uma sexta-feira, mas a coordenadora do RH não foi. Ela se sentiu mal e vazou a informação de que ela seria mandada embora. Eu achei que eu viria para ser gerente de gestão e trabalhar com ela, aí saiu essa informação e ela não foi trabalhar. E a reunião foi desmarcada.

Um dia ele me chamou e falou que eu ficaria como supervisora, não seria gerente. Disse que iria ganhando as pessoas, até pagaria um almoço. No dia seguinte, ele me mandou mensagem cedo querendo que eu fizesse uma ação sobre a Covid e ele meio que me desafiou, falou que se eu fizesse a ação ele ia me dar uma caixa de bombom. Em meia-hora, eu montei toda a ação

Ele achou que eu não conseguiria fazer isso. Mas deu supercerto. No dia seguinte, ele me chamou na sala dele. Foi aí que ele começou a me humilhar. Falou que eu não tinha perfil para ser do RH, não tinha perfil para ser gerente de RH e, muito menos, para ganhar o salário que me foi oferecido. E começou a me humilhar.

Eu perguntei como ele podia falar uma coisa se nem viu o trabalho. E ele continuou a me humilhar. Falou: ‘Seu salário vai ser esse, não deixei o presidente dar o salário que ele queria te pagar. E vocês não têm direito à moradia, só quem tem moradia é superintendente’. Ele ficou me humilhando o tempo todo.

Ele me tirou do RH e me colocou no marketing. Me colocou em uma mesa no fundo da sala, sem computador, cortou meu acesso ao e-mail e não explicou nada. Desde o começo, eu avisei ao presidente. Falei tudo que estava acontecendo desde o começo e as coisas foram piorando. O Luiz me tirou do RH, me humilhou e continuou me ignorando no clube como se eu não existisse

Já o caso de racismo foi denunciado há uma semana por um advogado do clube, que também não teve sua identidade revelada, contra Roberto Rabelato, gerente de controladoria santista. Negro, a vítima diz não ter tido oportunidade por conta da sua cor de pele e acusa o gerente de ter aberto a porta de uma sala em que ele estava e dito: “Aqui é a senzala”. Em um áudio obtido pelo jornalista, o próprio Rabelato admite ao presidente Rollo tais palavras.

Em conversa com Sacco, a vítima de injúria racial desabafou sobre o caso.

“Quando eu cheguei aqui, eu pensei que ia ser diferente. Porém, o Rabelato nunca me deu uma oportunidade. Ficou o tempo inteiro segurando as coisas. Tinha que ser do jeito dele, certo? Eu tenho 33 anos de advocacia, acho que alguma coisa eu entendo. Em nenhum momento tivemos um relacionamento. Ele mal olhava na minha cara, mal dava bom dia e dizia para mim que queria distância. Eu sou homem e não falava nada porque acho que é assim que tem que ser levado”, disse o profissional antes de fazer a acusação.

Então estou falando na cara dele aqui, nos olhos dele. Que ele diga aqui que não abriu um dia a porta da sala lá e disse ‘aqui é a senzala’. Quero que ele diga isso, que não falou isso. Eu fiquei tão estupefato que eu não acreditei. Então quero que ele diga na minha cara que ele tem algum problema comigo por eu ser negro porque eu não acredito nisso. Agora, que ele falou isso na minha cara, ele falou. Mas ele não falou assim diretamente. Ele abriu a porta, olhou e falou ‘ah, aqui é a senzala‘. Por que ele fez isso? Não sei. Está engasgado aqui”.

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