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Maracanã 70 Anos: as alegrias e as decepções com a seleção brasileira

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Sete décadas de muitas comemorações, alegrias e tristezas. O Estádio Jornalista Mário Filho, ou Maracanã para os íntimos, chega aos 70 anos com corpinho de 7. O Maraca, para os ainda mais íntimos, passou por sua última grande reforma no início da década de 2010: foram três anos, um mês e 27 dias até o primeiro evento-teste para os objetivos principais, a Copa das Confederações em 2013 e a Copa do Mundo em 2014. No dia 27 de abril de 2013, o Gigante recebeu o amistoso Amigos de Bebeto x Amigos de Ronaldo em mais um capítulo da história que começou em 2 de agosto de 1948, início de sua construção.

Com capacidade oficial de 155 mil pessoas, o Maracanã tornou-se o maior do mundo, superando o Queen Park, em Glasgow, na Escócia. Construído para a realização da Copa do Mundo de 1950, o Maraca foi inaugurado em 16 de junho, há 70 anos, com a vitória da Seleção Paulista sobre a Carioca por 3 a 1. Mas coube ao inventor da Folha Seca, o eterno craque Didi, à época jogador do Fluminense, fazer o primeiro gol do estádio. O primeiro jogo oficial aconteceu oito dias depois, já pelo Mundial, com a goleada de 4 a 0 aplicada pelo Brasil no México, gols de Ademir (2), Baltasar e Jair Rosa Pinto. Mas aquela Copa trouxe, também, a maior decepção já vivida no Maracanã…

O amistoso entre as seleções do Rio e de São Paulo na inauguração do Maracanã (Foto: Arquivo Nacional)

No dia 16 de julho de 1950, o futebol brasileiro sofreu uma das mais amargas derrotas de sua história, aquela que ficou conhecida como Maracanazo. A Seleção tinha a chance de conseguir seu primeiro título de Copa do Mundo jogando em casa. Mais de 200 mil torcedores – o maior público já visto em uma partida – lotaram o estádio no primeiro mundial realizado após a Segunda Guerra. O Brasil era o favorito devido aos resultados nas fases anteriores, e o técnico Flávio Costa tinha grandes jogadores à disposição.

Para a partida contra o Uruguai, o Brasil entrou em campo com Barbosa, Augusto, Juvenal, Bauer, Danilo, Bigode, França, Zizinho, Ademir, Jair e Chico. No entanto, o placar final foi surpreendente e calou a legião de torcedores que estavam no Maracanã: os uruguaios saíram atrás e conseguiram a virada com Ghigga, aos 34 minutos do segundo tempo. A Celeste sacramentou a vitória por 2 a 1 com um dos maiores silêncios da história do futebol. Até hoje, o fatídico dia é lembrado com tristeza pelos amantes do esporte.

A bola no fundo da rede de Barbosa depois do chute de Ghigga (Foto: Arquivo Fifa/CBD)

A ferida da derrota na final da Copa de 1950 nunca cicatrizou, mas o Brasil pôde em outras duas oportunidades tentar exorcizar seus demônios celestes. A primeira foi na decisão da Copa América de 1989, 50 anos depois de o país ter sediado a competição pela última vez e, também, de seu último título do torneio sul-americano. Diante de 132.743 torcedores, Romário superou a retranca uruguaia e fez, de cabeça, do triunfo e do título, o primeiro da Seleção desde o tri mundial, no México. Naquela edição da Copa América, o Maracanã ainda foi palco de duas antologias: o golaço de Bebeto na vitória por 2 a 0 sobre a Argentina; e o toque de gênio de Maradona, que quase marcou, contra o Uruguai, o gol que Pelé também não fez em 1970. A bola parou no travessão, mas quem estava no estádio torceu para que tivesse entrado.

João Felix

E o Maracanã também teve histórias de farsa. Em busca de uma vaga para a Copa do Mundo da Itália, em 1990, a Seleção entrou em campo contra o Chile com a vantagem de um empate. No entanto, a partida ficou conhecida por “não ter terminado”, uma vez que o rival abandonou a decisão antes mesmo do apito final. As seleções jogaram para um público de 141.072 pessoas, e a atmosfera criada dava o real sentido à disputa. De um lado, o Brasil, que jamais havia ficado fora de um Mundial. Do outro, os chilenos, que não disputavam o torneio desde 1982.

O jogo foi bastante equilibrado, e o único gol saiu apenas aos quatro minutos da etapa final, com Careca aproveitando assistência de Bebeto. Os rivais não conseguiram ameaçar Taffarel durante o desenrolar da partida, mas o inusitado aconteceu aos 24 minutos, quando a torcedora Rosenery Mello atirou da arquibancada um sinalizador, que caiu próximo à área de Roberto Rojas. Ensanguentado, o goleiro foi levado ao vestiário pelos companheiros de time, que não voltaram para o campo.

A Fifa foi acionada devido ao incidente, porém, ao analisar as imagens, viu que Rojas não havia sido atingido pelo projétil, mas que tinha usado uma lâmina para se cortar a fim de forçar uma punição ao Brasil e beneficiar o Chile com a vaga. Com a descoberta da verdade, a seleção chilena não apenas ficou fora do Mundial de 1990, como foi impedida de disputar as eliminatórias para a Copa de 1994. Rojas foi banido do futebol pela entidade, porém, anos depois, foi anistiado e chegou a trabalhar como treinador no Brasil, principalmente no São Paulo.

Mais eliminatórias para Copa do Mundo, e novamente o Uruguai na vida da seleção brasileira. A Bolívia já estava classificada para a Copa de 1994, nos Estados Unidos, e o estádio recebeu mais um decisivo duelo contra a Celeste. Mais do que isso, o Maracanã recebeu de volta, com a camisa amarela, um dos maiores gênios que desfilaram em seu gramado: Romário. O atacante havia sido banido pelo técnico Carlos Alberto Parreira, irritado com um pedido de dispensa no ano anterior, mas voltou como salvador da pátria. A atuação de gala do Baixinho foi premiada com os gols da vitória por 2 a 0, aos 27 e 38 minutos do segundo tempo, e a classificação que levaria o Brasil ao tetracampeonato mundial.

Vinte anos depois, a final da Copa das Confederações deixou os brasileiros confiantes para Mundial do ano seguinte. Em uma belíssima vitória por 3 a 0 sobre a Espanha, então atual campeã do mundo, o time de Fred, Neymar e cia. conquistou o torneio pela quarta vez e mandou um recado às demais seleções: em 2014, o hexa seria conquistado em casa. Favorito ao título, o Brasil tinha como objetivo espantar o fantasma do Maracanazo, já que a final seria disputada no Maracanã. No entanto, a animação e empolgação dos torcedores deram lugar ao choro, à tristeza e à decepção… Mais uma vez!

Daniel Alves e Dante celebram a conquista da Copa das Confederações no Maracanã (Foto: Getty Images)

Na semifinal da Copa de 2014, a Seleção – sem a presença de Neymar, que estava lesionado – e a Alemanha se enfrentaram no Mineirão, em Belo Horizonte. A derrota por 7 a 1 foi a maior sofrida pelos brasileiros na história. Felipão, técnico à época, assumiu a culpa, assim como outros jogadores, mas o fatídico dia ficou conhecido mundialmente, e a disputa levou o nome de Mineiraço – em referência à derrota de 1950, o Maracanazo. Devido à eliminação, a seleção brasileira não atuou no Maracanã e viu o algoz, a Alemanha, levantar o título do Mundial daquele ano, contra a Argentina, dentro do estádio que é o templo do futebol nacional.

Mas o Maracanã foi palco de uma nova conquista do Brasil. E de uma conquista inédita. Maior referência no futebol em todo o mundo, a Seleção tinha em sua sala de troféus um espaço ainda vazio, reservado ao ouro olímpico. E ele veio nos Jogos Rio 2016, numa final contra a… Alemanha! Liderada por Neymar, a equipe ainda teve de superar a pressão dos pênaltis depois do empate em 1 a 1 no tempo normal. O camisa 11 chegou a abrir o placar aos 26 do primeiro tempo, mas Meyer deixou tudo igual para os alemães, o medo de uma nova festa germânica tomou conta das arquibancadas do Maraca. Na última cobrança da Alemanha, Petersen parou nas mãos de Weverton, e Neymar garantiu em seguida a última festa brasileira no eterno Maior do Mundo.

Bastian Schweinsteiger com a taça de campeão do mundo no Maracanã (Foto: Getty Images)

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