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Rogério Ceni: “Minha parcela de colaboração de o Cruzeiro estar na Série B é meu trabalho no Fortaleza”

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Rogério Ceni segue dando treinamentos à equipe enquanto os jogos não retornam no Estadual. O treinador do Fortaleza concedeu uma entrevista ao jornalista Mauro Cezar Pereira, do “Uol Esportes”, e falou sobre os planos para 2020 e também sobre a rápida – e conturbada – passagem pelo Cruzeiro.

O ex-goleiro explicou como está se adequando aos treinos seguindo as orientações dos profissionais da saúde, e também sobre como tem sido a rotina dos jogadores em meio a essas mudanças. Além disso, desabafou sobre a saída do Cruzeiro e também os possíveis problemas com a antiga equipe.

Para Ceni, o mais difícil é se ausentar do futebol por tanto tempo, pois nunca tinha visto uma paralisação dessa maneira e com protocolos a seguir. Ainda ressaltou que vem criando novos tipos de exercício para se adequar às recomendações.

“Para mim a ausência do futebol por tanto tempo é difícil. Depois de 70 dias começar um planejamento. Trabalhamos em um período, à tarde, porque de manhã é muito quente. Nunca havia feito tamanha paralisação quando atleta e não existe um protocolo a respeito”.

O treinador acrescentou: “Grupos de seis pessoas, criando novos exercícios para adequar. Somente trabalho físico sem a bola cansa muito rápido. Segunda-feira comecei a parte tática, 10 contra zero, ou seja, sem oponente, treinando saída de bola, em casa e fora, porque é diferente a Série B e o que foi a Série A no ano passado. Estamos fazendo variações táticas com trabalhos físicos, sempre evitando a aproximação entre os jogadores. O Michael Beale (auxiliar técnico inglês de Rogério no São Paulo), que trabalhou comigo e antes no Liverpool, foi o cara com quem mais aprendi a dar treinos. Aprendi com ele a desenhar novos treinamentos e a metodologia. Também temos que olhar o que é feito nos grandes clubes e adaptarmos ao nosso sistema de jogo, não há problema nisso”

João Felix

Sobre as polêmicas envolvendo seu nome no Cruzeiro, o ex-goleiro disse que arriscou ao trocar o Fortaleza pelo Cruzeiro, mas que serviu como aprendizado. Além disso, exaltou o atual clube e também que pretende permanecer no comando da equipe.

“Profissionalmente o correto é seguir e fazer o trabalho. Mas no futebol brasileiro nem sempre é possível. Acho que foi um risco, não um erro, mas também um aprendizado. Tinha tudo para dar certo e o Cruzeiro não cair para a Série B, mesmo com todas as dificuldades financeiras e até com alguns atletas. Não deu e acabei voltando para o Fortaleza. Não pretendo sair. Existem equipes com mais poder aquisitivo e chances de ganhar títulos nacionais, mas minha ideia é seguir até o encerramento da competição, mesmo que o campeonato comece em agosto e vá ate janeiro”

Ceni comandou o Cruzeiro em apenas oito jogos e teve 2 vitórias, 2 empates e 4 derrotas - Foto: Getty Images

Já com relação aos boatos de conflito com o elenco, Ceni desabafou e disse que tentou estruturar o time conforme as limitações dos atletas e sua visão de jogo, o que pode ter causado um mal-estar entre a equipe.

“Eu não gosto de falar sobre os atletas, não costumo fazer isso. Vitórias e derrotas são parte do processo. Outro dia vi que alguns reclamaram que eu teria dito que determinados jogadores eram mais velhos… Eu trabalho com mais de 50% do elenco do Fortaleza acima dos 30 anos. A idade não é uma coisa que me faça escolher o jogador, ou não, mas sim o condicionamento físico e a capacidade técnica. No Cruzeiro tentei dar velocidade ao time, eu tinha o David, o Pedro Rocha e um jogador que não é tão velocista, mas taticamente era importante, o Marquinhos Gabriel. O que falei foi que não conseguiria colocá-los, todos juntos, em campo ao mesmo tempo, pois teria que fazer uma rodagem. Se eu coloco o Thiago Neves com o Fred e o Robinho, para meu estilo de jogo, mais agressivo e físico, não conseguiria fazer isso. Acho que eles ficaram um pouco magoados, mas faz parte da vida”

O Cruzeiro irá jogar a Série B pela primeira vez em sua história em 2020, e o ex-treinador falou sobe sua parcela de culpa no rebaixamento do time.

Minha parcela de colaboração para o Cruzeiro estar na Série B é o meu trabalho no Fortaleza, que tomou uma vaga entre os 16 primeiros. O Cruzeiro é ótimo para trabalhar, pela estrutura CT, funcionários educadíssimos em todos os setores. Tem tudo de bom, e tem muito menino bom. Entre os mais experientes, o Henrique, que tem 34 anos, e é um exemplo de profissional, hoje está no Fluminense. O Rafael, que está no Atlético Mineiro. Não tenho nada a reclamar dos jogadores. É a vida. Fui atleta vivi isso tudo e não tenho o que reclamar. Mas havia uma figura da diretoria que era o elo, que travava tudo, tinha muita amizade com os jogadores levava para um lado e para outro. Mesmo com todas as dificuldades e com os meninos da base, podendo fazer as alterações, tenho a convicção de que o time não iria para a Série B”

No fim da entrevista, Ceni disse não se arrepender da experiência no time mineiro, pois morou 21 dias no CT para entender a estrutura e poder levar o melhor ao elenco, que tinha bons nomes.

“Foi um aprendizado, nunca recebi um centavo, um dia de trabalho, nem minha passagem nem a rescisão de aluguel em Fortaleza. Trabalhei 21 dias morando no CT para entender como funcionava toda aquela estrutura e conhecer os funcionários, porque o momento era muito crítico, mas a torcida foi muito legal, empurrou em todos os jogos, e a estrutura é muito boa. Pena que a situação, o balanço anual fale por si só. Tínhamos jogadores que, mesmo naquele aperto, conseguiriam se desenvolver bem, como Fabrício Bruno, Cacá, David, que eu trouxe para o Fortaleza, o Adriano, da base, Rafael, lateral-esquerdo, o Dodô foi um baita jogador. Com a maioria tive bom relacionamento“.

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